Coitado do Chico… e do Francisco!
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Uma coisa é caminhar com o passado. Outra é continuar vivendo à sombra dele.
Quando pensamos em seguir em frente, quase sempre imaginamos que precisamos deixar alguma coisa para trás. Pode ser uma pessoa, um lugar, uma fase da vida. Ou então até uma versão de nós mesmos ou aquele futuro que, durante tanto tempo, acreditamos que aconteceria. Como se continuar a caminhada exigisse esquecer tudo aquilo que ficou pelo caminho.
Mas será que conseguimos mesmo fazer isso?
Algumas pessoas já não participam da nossa vida, mas continuam presentes na maneira como enxergamos o mundo. Certos lugares permanecem guardados em fotografias, músicas ou histórias que repetimos. Até aquilo que nunca aconteceu pode ter ajudado a formar quem somos hoje.
Apagar essas lembranças significa apagar também uma parte de nós.
O problema não está em carregar o passado. O problema começa quando permitimos que o passado escolha todos os nossos caminhos. Quando cada pessoa que conhecemos precisa competir com alguém que já foi embora. Quando o presente é sempre comparado a uma época que já terminou.
Ou então, e mais preocupante, quando deixamos de construir novos planos porque ainda estamos presos a um futuro que não aconteceu.
Uma coisa é caminhar com o passado, outra é continuar vivendo à sombra dele.
Dar um lugar à saudade não significa permitir que ela ocupe tudo, mas também não significa que temos que expulsá-la da nossa história.
Significa reconhecer que ela pode caminhar ao nosso lado sem precisar decidir a direção.
Assim como algumas lembranças, algumas ausências também continuarão conosco. Não porque ainda estamos presos ao que passou, mas porque aquilo que vivemos, ou aquilo que imaginamos viver, nos trouxe até aqui. Seguir em frente não é deixar o passado para trás, é conseguir olhar para ele sem precisar voltar.
A saudade também precisa de um lugar. Não à nossa frente, escolhendo o caminho, e nem sobre os nossos ombros, tornando cada passo mais pesado. O lugar dela é ao nosso lado.
Caminhando (e cantando e seguindo a canção…) conosco, enquanto a vida continua.
Mais um caco espalhado por aí…
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