Gratidão – Sentindo os Cacos: Ep. 9 – Parte 1

Pai e filho colando figurinhas em um álbum durante um domingo juntos.

A gratidão também está nos pequenos momentos que vivemos juntos.

Há alguns domingos, aconteceu uma coisa interessante aqui em casa.

Era apenas mais um daqueles finais de semana em que o Otávio estava comigo. Quando o domingo terminou e chegou a hora de levá-lo embora, fiquei com a sensação de que não tínhamos feito nada de especial. Confesso que estava até um pouco incomodado com isso.
Praticamente não saímos de casa e não aconteceu nada que merecesse ser contado quando alguém perguntasse:

E aí, o que vocês fizeram no fim de semana?

Mas, para minha surpresa, para o Otávio, aquele domingo foi completamente diferente. Assistimos a um jogo de futebol juntos, jogamos videogame e colamos algumas figurinhas em seu álbum. Para mim, eram apenas coisas comuns que aconteceram ao longo do dia.
Para ele, eram as coisas que havíamos feito juntos.

O domingo foi exatamente o mesmo para nós dois. O que mudava era a maneira como cada um se lembrava dele. Naquele momento, percebi que, enquanto eu procurava alguma coisa especial para justificar o nosso domingo, meu filho já havia encontrado várias.

E me senti grato.

Não apenas pelo jogo, pelo videogame ou pelas figurinhas. Mas por ter um filho capaz de me ensinar a enxergar aquilo que me esforço diariamente para fazer mas, sozinho, dessa vez, não iria per. Por fim, enquanto eu imaginava estar ensinando alguma coisa a ele, era o Otávio quem me ensinava a olhar para a vida por outro prisma.

E, para mim, a gratidão começa aí: não quando a vida nos oferece mais, mas quando aprendemos a perceber melhor aquilo que ela já nos ofereceu.

Meu pai, um alemão extrovertido e de um coração enorme, costuma dizer que:
Quem não agradece o pouco não merece o muito.

E você, já agradeceu por aquilo que pareceu pouco?
Mais um caco espalhado por aí…

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