Nossos disfarces
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Nem toda culpa quer nos punir. Algumas apenas querem que a gente pare por um instante e reflita.
No primeiro texto, apresentamos a Culpa, agora vamos nos aprofundar um pouco mais nela.
Estamos diariamente nos esforçando para estar presentes em tudo e fazer as escolhas certas. Sempre tentamos responder da maneira mais educada. Além disso, nos esforçamos ao máximo para agir bem, não falhar e não faltar. Em suma, tentamos não deixar nada escapar. Porém, esquecemos que a vida é maior do que a nossa capacidade de controlá-la.
Logo, haverá sempre momentos que não voltam e palavras que não foram ditas. Bem como haverá presenças que não puderam acontecer e também escolhas que só vamos entender muito tempo após serem tomadas.
E é aí que a culpa aparece. Não necessariamente para nos condenar, mas para fazer a gente parar e pensar. Ela (a culpa) solicita reflexão, assim como quando uma criança faz algo errado e os pais a colocam sozinha por alguns minutos “para pensar”. Sentada na cama ou numa cadeira. Ela não está lá para ser destruída, ou muito menos humilhada.
Enquanto estiver ali, sozinha, ela irá aprender. Somente assim irá pensar no que aconteceu e reconhecer o impacto de um gesto. Enfim, irá aprender a ligar uma atitude a uma consequência.
O problema é que, quando crescemos, esquecemos desse propósito.
A reflexão, que deveria nos transformar, vira castigo, e o silêncio, que deveria nos ajudar a entender, vira prisão. Aquilo que começou como consciência se transforma em condenação. Acabamos por vivenciar a mesma cena tantas vezes que ela deixa de ser apenas uma lembrança e vira o endereço do erro.
Mora-se no erro, se vive na ausência. O “e se” se torna a nossa morada. Aquela versão da vida, que de fato não aconteceu, acaba ocupando todo o espaço. E, enquanto isso, a culpa vai crescendo. Por dentro, ela se parece com um grito num lugar vazio.
Você coloca tudo para fora. Se explica. Questiona. Se acusa e se defende.
Repete mentalmente o que faria diferente.
Do lado de fora, a vida segue. As pessoas trabalham, conversam e fazem planos. Tomam café e respondem mensagens.
Por dentro, alguma parte de você ainda está tentando ser absolvida de algo que talvez nem tenha sido um crime.
E isso cansa, não cansa?
Mais um caco espalhado por aí…
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Posso contar com você? #espalhandooscacos
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