Sem seguro de terceiros

02 de abril de 2025 - Categoria: Artigos, Filosofia Barata, Humor, Imaginação, Inspiração, Novidades

Imagem: Adobe Firefly

“Já pensou que viver sem seguro de terceiros é como sair por aí, acelerando sem pensar nas batidas que a vida pode causar — nas suas e nas dos outros?”

Com 8 anos, tomei uma decisão que afetou diretamente o rumo da minha vida. Não me lembro dos motivos que me levaram a ela, se foi influência de alguém, curiosidade ou vontade própria. Comecei a fazer aulas de inglês e não parei mais. Mudei algumas vezes de escola, mas me mantive firme no aprendizado. Até que aos 15 (quase 16) anos decidi, motivado por uma necessidade de mudança e influenciado por uma amizade no curso de inglês, ir estudar no Colégio Sapiens. Deixei para trás uma vida. Estudava no colégio Diocesano La Salle desde o prézinho, e me joguei de cabeça, morrendo de medo, em um novo ambiente, onde tinha alguns poucos – talvez 1 ou 2 – conhecidos.

Na época, não pensava que uma decisão dessa impactaria tanto no longo prazo. Foi uma ótima escolha. Na nova escola, conheci meus comparsas e somos amigos há mais de 25 anos. Essa atitude deu um novo norte para minha trajetória nesse simpático, e que já foi mais verde, planeta. E isso me faz pensar em vários assuntos relacionados à nossa existência. Será que somos realmente responsáveis pelo nosso destino, ou será que o caminho já está traçado e seguimos conforme o combinado? Dizem por aí que o combinado não sai caro, e é verdade. Meu pai, um alemão extrovertido e de um coração enorme, em toda sua sabedoria de 72 anos bem vividos, diz que sempre é melhor ficar vermelho de vergonha na hora do que roxo de raiva depois.

“As pessoas não decidem seus futuros. Elas decidem seus hábitos e seus hábitos decidem seus futuros.” – Frederick Matthias Alexander

Concordo em partes com o Frederick – que tem, na versão inglesa, o mesmo nome do meu irmão, Frederico. Se formos pensar em todo conceito de livre arbítrio, somos responsáveis por tudo que acontece em nossas vidas. 99% eu diria. Sobra esse 1% que é, como diria o Cumpádi Washington, ordinááário! Em contrapartida, para algumas religiões e crenças, temos o nosso destino traçado, assim como cantou Cazuza, daqui até a eternidade. O que iremos fazer nessa e na pós-vida. Se iremos para o paraíso, inferno ou purgatório, e até mesmo se, e quantas vezes, vamos reencarnar. Não sei se estou conseguindo fazer vocês entenderem os motivos de minhas reflexões e indagações.

Na vida temos muito o que analisar, pensar e refletir. Tudo vale a pena quando a alma não é pequena (quantos ditados em tão poucas linhas…). É jovem, a vida é feita de escolhas, e cabe a nós tomarmos as decisões, sejam elas corretas ou não. O problema é que não temos controle total de nossa vida, sempre estamos sujeitos a interferências. Lembra da terceira Lei de Newton? Já falei dela aqui. Para toda ação existe uma reação, e para toda reação existe uma ação.

Lembra daquele 1% que mencionei anteriormente?

Aprendi que ao dirigir um carro, temos que tomar cuidado por nós e pelos outros. Guiar com cuidado e na velocidade correta, respeitar leis de trânsito e pilotar com atenção ajudam a ter uma viagem tranquila. Mas se o amiguinho (aqueeele 1%) do carro ao lado não fizer o seu dever de casa e dirigir imprudentemente, arriscamos sofrer algum acidente. E a vida é assim, devemos sempre ser precavidos, pensar antes de decidir, respeitando sempre os limites que a sociedade – e a nossa consciência – nos impõe. Mas, se algum apressadinho resolver cruzar o sinal vermelho, não temos como prever. E nem como fugir dessas colisões.

Na vida, diferentemente dos automóveis, não conseguimos fazer seguro para terceiros. E não é por isso que devemos ter medo de dirigir, de seguir adiante. Sabe aquela história de que, quando uma porta fecha, outra se abre? Siga sempre em frente. Confie em Deus, mas mantenha seus camelos amarrados.

Tenho a sensação de que esse texto talvez não faça sentido algum para você, não sei. Mas, se for para sentir algo, melhor me sentir vermelho após tê-lo compartilhado do que roxo por não o ter escrito.

Mais um caco espalhado por aí…

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