Saudade — Sentindo os Cacos: Ep. 8 — Parte 2

12 de agosto de 2026 - Categoria: Artigos, Filosofia Barata, Imaginação, Inspiração, Novidades
Homem caminhando por uma estrada com folhas de outono e fotografias antigas espalhadas pelo caminho.

Seguimos em frente, mas algumas lembranças continuam pavimentando o caminho.

O que realmente incomoda?

Na primeira parte desse episódio, perguntei se você fica chateado com a saudade. Mas e se a gente não ficar chateado com a saudade e ficar incomodado com aquilo que ela confirma? O tempo passou, as estações mudaram e muitas coisas já não são iguais.
Enquanto algumas pessoas mudaram, outras foram embora. Os momentos,  bons ou ruins, não vão se repetir.

A saudade, essa danada, torna a ausência visível e coloca uma moldura em volta daquilo que falta. Por isso, mesmo quando a lembrança é bonita, ela pode doer.

Ninguém sente saudade daquilo que não deixou marca.

Nós, a saudade e as lembranças

Desde cedo escutamos que é preciso deixar o passado para trás, que se caminharmos sem olhar pra frente iremos tropeçar e nos esborrachar no chão. Sim, não dá para caminhar olhando apenas para aquilo que ficou. Mas não quer dizer que temos que abandoná-las. As lembranças sempre serão uma parte de quem somos, e é preciso aprender a caminhar lado a lado com elas.
As lembranças são as pedras que pavimentam a estrada que construímos. Ajudam também a avaliar o que pode dar certo ou errado.

A saudade pode ser a forma que a memória encontra de proteger aquilo que não queremos perder completamente. Um rosto, uma voz, a lembrança de um sorvete numa tarde ensolarada de domingo. Uma conversa que, na época, parecia comum, mas não imaginávamos que sentiríamos a falta dela.
Só entendemos o tamanho de alguns momentos quando eles já não estão acontecendo.

A saudade e a vida

A saudade não interrompe a vida. Faz parte dela.
É impossível viver sem acumular alegrias e ausências pelo caminho. Quanto mais caminhamos, mais lugares, pessoas, planos e versões de nós mesmos ficam para trás. E isso não é motivo apenas para tristeza, significa que toda história deixa algum tipo de rastro.
A saudade aperta, incomoda, pode aparecer na hora errada, mas também lembra que estivemos presentes. A saudade mostra que soubemos amar e viver. Ela confirma que alguma coisa foi importante o suficiente para continuar existindo, mesmo depois de ter terminado.

Eu já fiquei chateado com a saudade, mas nunca desejei que ela fosse embora por completo. Porque, quando a saudade “dá um tempo”, pode ser que tenha encontrado um lugar mais tranquilo na gente, o que não quer dizer que ela desapareceu.

E existem coisas que não precisam voltar, mas merecem permanecer.

Mais um caco espalhado por aí…

Se esse texto te tocou, compartilhe. Se não tocou, compartilhe também — vai que toca alguém? 😉
Posso contar com você? #espalhandooscacos

Ah, e aproveita pra se inscrever na newsletter e me seguir no Instagram: @cacos.docaco

0 comentários

Deixe o seu comentário!

Veja também

03 set

Expectativamente real

Entre o traço do ontem e as cores do amanhã, seguimos em constante atualização.   Hoje, somos a versão final do […]

Leia Mais
06 ago

No fim do arco íris

Nem todo dia é colorido — e está tudo bem com isso. Imagem: ChatGPT   “Do branco até chegar ao preto, […]

Leia Mais
14 fev

Modesto, mas com moderação

“Entre a modéstia verdadeira e a ostentação envergonhada, existe um território curioso. Esta crônica caminha por ele — com classe, ironia […]

Leia Mais

Newsletter Cacos do Caco

Assine a Newsletter Cacos do Caco
Receba crônicas, reflexões e novidades direto no seu e-mail.
👉 Quero assinar