Ao velho Lobo, com carinho.
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Entender a culpa não é fugir dela. É aprender a escutar o que ela tem a ensinar.
E continuo na jornada sobre o entendimento da Culpa, com C maiúsculo mesmo… devo me sentir culpado por isso?
Chegou agora? Leia aqui a Parte 1 e a Parte 2.
Dizer que a culpa é um sentimento humano não é dizer que devemos ignorá-la. Esse é sempre um ponto importante para ressaltar. Normalizar a culpa não é transformar tudo em desculpa.
Não é dizer que nada tem peso, não é passar pano para escolhas ruins e muito menos fugir das responsabilidades. Assim como existe a culpa que ensina, também existe a culpa que irrompe o ego.
E é essa que nos obriga a olhar para o outro, a que mostra que nossas atitudes têm consequências.
Enfim, é essa culpa que revela que nem tudo pode ser explicado pela nossa própria versão da história.
Sem culpa
Com a culpa, amadurecemos, pedimos desculpas e alinhamos a rota.
E também percebemos quando magoamos alguém.
Quem não sente culpa nunca parou de verdade para olhar o efeito que causa no mundo e nas pessoas.
O problema é quando ela, a Culpa, deixa de gerar reflexão e começa a gerar apenas condenação. Quando ela já não ensina ou não aponta um novo caminho.
No momento em que ela só fecha portas e já não pergunta “o que você aprendeu com isso?”, mas afirma diariamente: você é isso. Não podemos permitir que ela nos reduza a um momento ruim, de fraqueza, de falta de compreensão e/ou entendimento. Ninguém deve, e nem pode, ser reduzido ao seu pior momento ou a uma ausência, ou mesmo até uma escolha errada. Muito da vida entendemos apenas depois que ela acontece, refletindo sobre.
Poderia dizer que algumas culpas passam com o tempo? Sim. Mas prefiro pensar que, com o tempo, mudamos o nosso entendimento sobre ela. Onde antes eu diria “eu falhei”, talvez comece a dizer “eu era limitado”. Sendo assim, quando penso “eu deveria ter feito diferente”, agora talvez diga “eu fiz o que consegui com o que sabia naquele momento”. O que antes parecia imperdoável, com o tempo, se revela apenas humano.
Mas isso não apaga a história, e não muda o que aconteceu. Logo, essa epifania moral não devolve o momento perdido.
O que passou, passou… não voltará…
e o que tiver quer vir, virá…
Portanto, o novo entendimento não reescreve a cena e não transforma ausência em presença. Mas muda a forma como a gente convive com as lembranças e aflições do que já passou.
E, às vezes, essa mudança, que de pequena não tem nada, é exatamente o que precisamos para seguir em frente.
Mais um caco espalhado por aí…
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Parece muito importante você perceber que quando a culpa se transforma em outra coisa existiu algo muito raro e precioso que se chama reparação. A reparação é possível a partir do momento que você compreende o que faltou e se compromete a não deixar mais faltar. Em você mesmo. Aquilo que faltou no momento do “erro” , na reparação você garante que não fará mais! E essa é a verdadeira e única possibilidade de desculpar-se de verdade.
Boa, Gi! Exatamente. Identificar, aceitar e compreender…Essa é a parte mais difícil.