Vulnerabilidade – Sentindo os cacos: Ep. 3

Pai e filho tocando guitarra juntos no palco, vistos de lado, em imagem em preto e branco, representando presença, orgulho e autonomia.

Caminhar ao lado.
                         Sem controlar.

Às vezes, me pego pensando no futuro do meu filho, o Otávio.

Não o tipo de pensamento bonito, de pai orgulhoso imaginando conquistas, mas aquele pensamento silencioso, desconfortável. Penso em como ele estará quando, ou caso, eu não estiver mais aqui.

  • Quem ele vai ser?
  • Que mundo ele vai encontrar?
  • O que eu não soube ensinar?

Existe uma face da paternidade que ninguém explica, e poucos falam sobre. Pessoas a romantizam de uma forma que esquecem do que realmente importa. Esquecem que, ser pai, ou mãe, não é só sobre amor incondicional, é sobre responsabilidade.
É a consciência de que você influencia… mas não controla.

E talvez seja aí que mora a vulnerabilidade.

Crescemos aprendendo que ser forte é ter respostas, que maturidade é ter direção e, portanto, que segurança é prever riscos. Por fim, quando o assunto é o futuro de um filho, nenhuma dessas coisas é suficiente.
Por mais que eu:

  • Oriente;
  • Converse;
  • Mostre valores com atitudes;
  • Esteja presente.

Eu não posso viver por ele… não posso escolher por ele… e não posso evitar seus erros. E admitir isso dói.
Porque vulnerabilidade não é fraqueza, mas reconhecer que amar alguém implica aceitar limites.

Limites que não posso, e não devo, ultrapassar.

Talvez vulnerabilidade não seja o medo de que algo dê errado, mas sim aceitar que meu papel não é o de controlar seu caminho.
O meu papel, como pai, é caminhar ao lado enquanto ele aprende a escolher o seu próprio.

Amar é isso.

Estar perto.
Sem garantias.

O difícil é, em meio a tudo isso, segurar a ansiedade.

Mais um caco espalhado por aí…

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2 comentários

Comentários

  1. Simar disse:

    Bem isso Caco
    Abraço

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