Modesto, mas com moderação
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Nos últimos capítulos de A Sociedade do Cansaço, Byung-Chul Han descreve como construímos muros invisíveis ao nosso. No entanto, esses muros são feitos de excesso de positividade, de cobrança e de uma busca constante por performance. À primeira vista, parece proteção, mas na prática nos isolam do contraste, da profundidade e das nuances que dão cor à vida. Ler isso me fez lembrar de um texto que escrevi há algum tempo, No fim do arco-íris, onde eu dizia que às vezes valorizamos tanto as cores vibrantes que esquecemos da beleza que existe no cinza.
Han concordaria. Quando tentamos eliminar tudo o que é “negativo”, tudo o que é pausa, sombra, limite ou dúvida, perdemos justamente aquilo que cria contraste. E sem contraste, não há cor — há apenas luz demais, e luz demais cega. A vida ganha intensidade no caminho inteiro: na curva, na espera, no céu carregado antes da luz.
Proteger-se é importante, claro. Mas se fechar demais é desaparecer. Porque atrás do muro… não dá pra ver o arco-íris.
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☕ Série: Ruídos Filosóficos
📘 Inspirado em: A Sociedade do Cansaço, capítulo 7, de Byung-Chul Han
🌈 Referência cruzada: Texto No fim do arco-íris (Cacos do Caco)
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