Loop de Loop
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Às vezes, a saudade só senta ao nosso lado e fica em silêncio.
Eu já fiquei. Não necessariamente com aquilo de que sinto falta, mas com a própria saudade. Sabe quando a vida segue normalmente, você está atarefado com as coisas do dia, pensando em qualquer assunto, e de repente… ela aparece sem avisar. Pode ser quando encontra uma fotografia antiga, quando uma música começa a tocar ou então alguém passa usando um perfume conhecido. Às vezes pode ser caminhando por uma rua qualquer.
Aí, por alguns instantes, tudo aquilo que parecia distante volta a ocupar um lugar bem perto. Não porque voltou de verdade, mas porque a saudade, contrariando as leis da física, tem o poder de diminuir distâncias que o tempo levou anos para construir.
No mês passado, falamos sobre superação, sobre aceitar quando alguma coisa terminou e entender que seguir em frente não significa apagar o que aconteceu. E quando a saudade aparece? Quando a vida já seguiu, mas algumas coisas continuam com a gente.
Durante muito tempo, eu pensei que sentir saudade fosse uma espécie de falha na superação. Para mim, lembrar significava voltar. Como se relembrar a dor, mesmo que por alguns instantes, anulasse todo o caminho que já foi percorrido.
Mas não anula.
Sentir saudade não significa que você voltou para o começo, e não quer dizer que precisa recuperar aquilo que perdeu. Muito menos que tomou a decisão errada ao seguir em frente. Significa apenas que aquilo, de alguma forma torta, ou não, foi importante.
A saudade tem essa mania de aparecer sem ser convidada, de ser inconveniente às vezes. Ela não respeita a agenda, não pergunta se estamos preparados e também não se preocupa muito em explicar o motivo da visita.
Ela simplesmente entra, senta no sofá, olha ao redor, pede um café e começa a mexer nas coisas. Abre uma gaveta que estava trancada e espalha pela sala lembranças há muito tempo guardadas. E, de repente, você está novamente em um lugar que já não existe.
Sem se dar conta, você está lá, conversando com alguém que não está mais por perto ou encontrando uma versão sua que ficou em algum momento do passado. E talvez seja por isso que a saudade incomoda tanto.
Porque ela nos lembra que não controlamos completamente aquilo que está dentro da gente.
Vamos sim, viver novas histórias, o novo amanhece, mas apagar o que já passou, ou decidir quando uma lembrança vai aparecer? Isso não vai acontecer.
Ao contrário do que muita gente pensa, nem toda saudade significa vontade de voltar. E é importante saber que existe essa diferença. É, sim, possível sentir falta de uma época sem desejar viver tudo novamente. É normal sentir saudade de uma pessoa e, ainda assim, saber que a distância foi necessária. Podemos, sim, lembrar com carinho de um lugar ao qual já não pertencemos mais. E podemos sentir falta de quem éramos e, ao mesmo tempo, reconhecer que não queremos mais ser aquela pessoa.
Saudade nunca foi um chamado, muitas vezes é apenas uma lembrança passando para falar um “oi”. E tudo bem responder a esse “oi”. Não abraçamos ou convidamos quem encontramos na rua para ir até a nossa casa. Mas somos educados o suficiente para sorrir e seguir nosso caminho. E com saudade podemos agir da mesma forma.
Hoje, a saudade não me incomoda mais.
Aprendi que sentir falta não significa querer de volta. Às vezes, a saudade só aparece para lembrar que alguma coisa foi importante. A gente reconhece, sorri e segue o caminho.
E você, ainda fica chateado com a saudade?
Mais um caco espalhado por aí…
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