Culpa – Sentindo os Cacos: Ep.6 – Parte 2
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Não precisa chutar forte. A bola não precisa ir muito longe. Ela só precisa sair do lugar.
Ainda em clima de Copa do Mundo, e para fechar o mês, seguimos com mais uma das nossas expressões, sobre superação, mais mal compreendidas.
A princípio, ela é dita quando alguma coisa dá errado, tipo o Brasil sendo eliminado pela Noruega na Copa. E não dá nem pra falar que perdemos uma oportunidade de ser hexa porque, convenhamos, o time não era lá essas coisas, concorda? Ou então, quando um relacionamento termina, também para um plano que não funciona. Sempre vai aparecer alguém pra dizer: “Bola para frente.”
Como se fosse fácil colocar um sorriso no rosto, esquecer o que aconteceu e continuar andando. Mas não é tão simples assim. E também não precisa ser. Após reconhecer que nem tudo está sob o nosso controle (igual ao Ancelotti com a seleção), permitir que a dor exista, aceitar a realidade e perceber que a vida continua, chega o momento de dar o próximo passo.
Mesmo sem ter todas as respostas e carregando algumas lembranças, sabemos que determinadas cicatrizes continuarão conosco.
Seguir em frente não significa deixar tudo para trás. Conquistas, derrotas e frustrações continuarão a nos acompanhar.
Só não podemos permitir que elas decidam qual caminho seguir.
O jogo continua
“Bola pra frente” não significa fingir que a partida anterior nunca aconteceu, significa reconhecer que aquele lance terminou. Podemos, e devemos, rever o que fizemos. Precisamos entender onde erramos, lamentar (viver o luto) o resultado e aprender alguma coisa. Só não podemos continuar parados no mesmo lance, reclamando da arbitragem, enquanto a bola continua rolando.
O passado pode ensinar, só não pode impedir que você continue jogando.
Durante muito tempo, eu realmente acreditei que superar fosse esquecer. Como se a prova definitiva da superação fosse olhar para trás e não sentir absolutamente nada, talvez nem mesmo lembrar do ocorrido. Mas superar não é apagar. Superar é conseguir lembrar sem precisar voltar, carregar a história sem continuar preso dentro dela. É perceber que, mesmo depois de tudo, ainda existem escolhas esperando por nós. Talvez não possamos escolher o que e como aconteceu, mas podemos escolher o que faremos com aquilo que aconteceu. E essa escolha não precisa ser grandiosa, homérica. Levantar da cama, responder uma mensagem, aceitar um convite, retomar um projeto.
Ou simplesmente dar um passo pequeno, quase invisível, na direção da vida que ainda queremos viver.
Não precisa chutar forte, mesmo porque a bola não precisa ir muito longe. Afinal, ela só precisa sair do lugar.
Depois de compreender, sentir, aceitar e continuar vivendo, chega o momento em que, por mais que alguém possa querer, ninguém pode caminhar por nós. A responsabilidade é nossa.
Bola pra frente, e “bora” torcer para o Hexa vir em 2030.
Mais um caco espalhado por aí…
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Isso mesmo Caco. Muito verdadeiro.
Todos passamos, em maior ou menor grau, por momentos parecidos.
Essa atitude que você descreve eu nomeio com uma palavra simples: “amadurecer”
Abraço
Sim. Amadurecer, sempre.