Culpa – Sentindo os Cacos: Ep.6 – Parte 1

Homem sentado sozinho na beira da cama, em um quarto silencioso iluminado pela luz quente do fim de tarde, olhando pela janela em um momento de reflexão. A imagem transmite introspecção, culpa e o peso silencioso das limitações da vida adulta.

Às vezes, a culpa não nasce de um erro.
Ela aparece justamente onde a vida não conseguiu caber inteira.

Alguns sentimentos chegam fazendo barulho.

A raiva chega batendo à porta, o medo chega apagando a luz.
E a ansiedade chega correndo antes da hora.
A culpa, não. Ela chega quietinha, “na moita”, abrindo caminho por dentro.

Pode ser no meio de um dia comum, em um silêncio depois da conversa.
Em uma lembrança que aparece sem ser chamada, numa cena antiga que a cabeça resolve repetir;
Até mesmo em uma cena que ainda nem aconteceu, mas que a gente já sabe que talvez não consiga viver.
E é aí que o coração aperta.

Não porque fizemos algo errado, em algumas vezes nem somos os responsáveis.
Nem sempre porque existiu um vilão na história.
Às vezes, a culpa nasce justamente onde a vida não coube inteira.
Onde o amor existia, mas a presença não pôde ser completa.
Quando  a intenção era boa, mas o resultado não foi simples.
Naqueles momentos em que fizemos o impossível, mas ainda assim pareceu pouco.

A culpa não é uma equação matemática

A culpa não funciona como uma conta exata, em que um mais um será sempre dois.
Ela dá voltas, se disfarça, troca de voz. Às vezes, vem como arrependimento. Muitas vezes vem como saudade…
ausência.
Mas também pode dar as caras na forma de comparação e até como uma pergunta que não aceita uma resposta.
Por isso é tão difícil lidar com ela. A culpa nem sempre aponta para um erro, ela pode apontar para uma limitação.
E aceitar as próprias limitações talvez seja uma das tarefas mais difíceis da vida adulta.

A gente cresce achando que maturidade é dar conta de tudo.

Mais um caco espalhado por aí…

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